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By Ferramentas Blog

segunda-feira, 28 de junho de 2010

2036 DC - Coração de Dragão - Cap I - Fogo Cruzado

Capítulo I

Cá estou eu, entre o inferno e o céu. Encurralado entre os escombros de um edifício derrubado pela artilharia do governo. À minha direita Silks, à minha esquerda Goraks. Minha velha espingarda calibre doze cuspia freneticamente contra os Silks, que respondiam com rajadas de metralhadora, enquanto zumbidos de projéteis de fuzis cantavam em meus ouvidos, vindos da direção dos Goraks. Felizmente meu instinto de sobrevivência falava mais alto nessas horas. Eu tinha que sair do fogo cruzado. Esgueirei-me entre os escombros e saí do outro lado do prédio em ruínas. Corri feito louco entre destroços de carros e escombros. Só parei quando finalmente deixei os limites daquilo que fora uma cidade e adentrei na floresta de pinheiros que circundava esta.



Precisava rumar para o norte. Houve notícias de que em uma colônia remota, haviam descoberto a cura da mutação. Uma antidroga injetável que em dois dias livrava o organismo dos Silgoras de todos os malefícios do cruzamento.



O ano era 2036. A cidade estava em ruínas após a grande guerra civil. Escombros escondiam a história recente da luta do homem contra sua mais dolorosa invenção, o HC5000, conhecido aqui como CD, sigla de Coração do Dragão. Elaborada nos idos de 2019 por dissidentes do Paulo Escovar, que após a sua morte em Guantánamo, refugiaram-se no meio da floresta amazônica onde montaram um laboratório para refino de cocaína e seus derivados. Foi de lá que surgiu, segundo as agências de informações do governo, o HC5000, um poderoso subproduto sintético cujo efeito no homem foi devastador. Em pouco tempo ela tomou conta das ruas, cruzou fronteiras. Uma única inalação era suficiente para transformar qualquer ser humano em uma máquina de destruição. Os viciados começaram com pequenos roubos e furtos para sustentar o vício. Em seguida começaram a saquear lojas, mercados, padarias. A violência aumentava exponencialmente. Vieram reações dos dois lados. Matar virou algo tão comum que já não se prendia mais pessoas que assassinavam os Silks (nome dado aos usuários do HC5000).

Ao mesmo tempo, traficantes uniram-se para dominar a economia mundial. Formaram um exército de zumbis sedentos, que fariam qualquer coisa para conseguir outro CD. Houve muita destruição. Crianças eram recrutadas à força, trancafiadas numa câmara de gás onde inalavam o produto. Em seguida recebiam treinamento de combate para servir ao tráfico.

A situação gerou uma crise tão grande que houve uma guerra civil. Os governos do mundo todo distribuíram armas à população e deram ordem para matar todo Silk que encontrassem no caminho. O resultado foi catastrófico. Milhões de mortos. Várias colônias cercadas por muralhas descomunais se formaram nos cantos mais remotos do planeta. Com o apoio dos governos, tentou se criar uma nova sociedade livre do CD. Novas armas foram criadas. Sistemas de detecção de viciados foram espalhados ao redor de cada colônia. Cada Gorak, cidadão que vivia fora destas, recebeu um detector portátil, geralmente acoplado ao relógio, que emitia um sinal sonoro cada vez que um Silk se aproximava. Muitas vezes os dispositivos falhavam, pois os governos, no intuito de diminuir as despesas, começaram a comprar aparelhos fabricados por mão de obra escrava em algumas colônias subdesenvolvidas. Isso também provocou uma onda de terror entre os Goraks. Houve casos em que Silks copularam com algumas Goraks, gerando meses depois, um ser mutante, chamado por todos de Silgora.

O mundo virou um lugar hostil para sobreviver. Os fracos eram dizimados feitos moscas. Os fortes lutavam em desigualdade contra os Silks e os traficantes. Por fim, os Silgoras eram caçados pelos três lados. E eu era um deles. Um subproduto meio humano, meio viciado. Temido pelos Goraks, odiado pelos Silks e desejado pelos traficantes que queriam aumentar sua legião de seres dotados, uma vez que não precisávamos utilizar o CD. Nosso metabolismo mutante só precisava ser estimulado por um dos lados, do bem, ou do mal.

2 comentários:

  1. ta!
    você se superou nessa!
    Sua criatividade anda a mil.

    Parabéns, eu adorei.

    =)

    beijo

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  2. Como já sabe,quando me apresentou a trama não levei muito a sério principalmente por minha incapacidade de desenvolver essa trama futurista.Ainda bem que não meti a mão,pois conseguiste imprimir um ritmo extremamente ágil,como o tema futurista exige.Me lembrou Resident Evil do qual sou fã.Parabens!

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