Capítulo II
A maioria dos Silgoras optou pelo caminho mais fácil. Iludidos por promessas de poder e glórias, transformaram-se em escravos a serviço do mal. Os poucos que optaram pelo caminho correto simplesmente desapareceram, restando apenas histórias passadas de boca em boca. Fui criado longe de todos, numa aldeia escondida aos pés da Cordilheira dos Andes. Minha saudosa mãe contou-me que após ter sido violentada por um Silk, durante um ataque em sua cidade natal, procurou refúgio no mais distante e remoto lugarejo que pode encontrar. No meio de sua jornada de fuga e terror, encontrou Robinson, o líder de nossa aldeia que também fugia do terror imposto pela guerra. Mamãe não cansava de me contar essa história, de como Robinson salvou sua vida numa noite fria e chuvosa quando ela corria desesperadamente nas pradarias ao norte da antiga Argentina, sendo caçada por um grupo de Silks. Já exausta e acreditando que havia chegada sua hora, mamãe conseguiu chegar ao cume de uma pequena elevação rochosa. Escondeu-se atrás de um amontoado de pedras e por uma fenda ficou observando. A cada relâmpago ela via, apavorada, os Silks se aproximarem cada vez mais.
Quando eles estavam na base do monte, ela ouviu uma rajada de metralhadora vinda de suas costas. Gritou desesperadamente e só parou quando aquele homem tocou-lhe gentilmente o ombro e lhe disse que estava tudo bem, que havia matado todos os Silks que a perseguiam.
Desde aquela noite nunca mais se separaram. Robinson, sabendo da situação de mamãe, que ela fez questão de lhe contar, adotou-me como filho após o meu nascimento. Foram tempos difíceis para os dois até conseguirem encontrar o lugar que Robinson achava mais seguro tanto para eles, como para os outros fugitivos que foram se juntando pelo caminho. Ao final da jornada, o grupo já era formado por trinta e oito pessoas. Mais da metade eram adultos, alguns velhos e algumas crianças. O grupo ainda sofreu um último ataque antes de chegar ao vale Kaiohalo, cercado pelos montes Hyatiica e Hyatoeca ao norte, que se estendiam em uma cadeia de montanhas, pelos rochedos Hornochiati ao sul, pelo monte Hyncapocha ao leste, que fazia divisa com as pradarias e com e Serrana Del condor do lado oeste, que acabava no oceano Pacífico. E foi lá que me criaram até eu completar meus dezesseis anos. Sempre cercado pelo carinho e pelo amor de mamãe e de Robinson, o qual eu chamava de pai. Cresci sabendo de minha mutação, pois mamãe nunca me escondeu absolutamente nada.
Quando nossa aldeia foi atacada pelos Silks, eu havia saído em uma jornada pelo vale a fim de encontrar uma erva rara para curar a enfermidade de Robinson. Fui designado para essa missão por ser, entre todos os jovens, independente de ser seu filho adotivo, o que mais conhecia os segredos daquelas cordilheiras e dos vales. Desde menino fui aventureiro, talvez por causa da mutação, tinha força, agilidade, uma audição invejável. Podia ver perfeitamente à noite como se fosse dia claro.
Aceitei aquela missão sem questionar. Para mim era uma forma de agradecer tudo o que aquele Robinson fez por mamãe e por mim. Um homem inteligente e justo. Diziam que havia passado boa parte da sua vida no meio do resto da floresta Amazônica com indígenas e lá adquiriu conhecimento sobre as ervas. Procurava nos ensinar tudo o que aprendera durante a vida, desde carpintaria, plantas medicinais a nanotecnologia. Aprendemos a extrair da terra os recursos para a construção de toda sorte de equipamentos e utilitários à base de metais.
Preparei minha espingarda calibre doze, a segunda arma que construí com as próprias mãos, a primeira foi minha inseparável faca, feita de metal altamente resistente, forjado na ala subterrânea da aldeia, juntei pouco mantimento, pois iria caçar algum guanaco ou alpaca pelo caminho. Despedi-me de mamãe e de Robinson, dizendo-lhe para ser forte, para aguentar firme que eu traria a cura para sua doença.

Li os dois capítulos, bem bom até agora! Tem uma cara cinematográfica, é bem visual É início de uma novela(ou romance)?
ResponderExcluirAbraços!
Continuação que desta vez toma ares épicos e remeta a antigas lendas nórdicas.Muito,mas muito bom mesmo.
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